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Safra de tomate deve recuar em SP

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O tomate que, pela primeira vez, aparece como vilão da alta de preços dos produtos agrícolas tende a sofrer revés em sua cotação a partir do próximo mês em função da nova safra. A previsão é dos analistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), sediado em São Paulo, e reafirmada em Goiânia pelo economista Edson Alves Novaes, do Departamento Técnico da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), e que faz acompanhamento periódico de preços dos grãos, carnes, lácteos, hortigranjeiros, entre outros. “Com o pico de produção de safra de inverno do fruto entre maio e junho, o consumidor deve pagar menos pelo produto nos próximos meses, aliviando a pressão sobre a inflação”, prevê o Cepea que possui uma equipe dedicada ao acompanhamento diário do mercado brasileiro dos produtos hortifrutícolas.

Conforme os analistas, apontar o tomate como “vilão da inflação” é uma injustiça com o agricultor. Segundo eles, em abril do ano passado o preço na roça era de R$12 a caixa de 22 quilos. O valor era insuficiente para cobrir o custo de produção. Este ano, o produtor chegou a receber R$100 pela caixa de tomate, justamente por causa do desestímulo provocado pelos baixos preços do ano passado, que levaram a uma redução de 20% na área da safra de verão, que foi plantada no segundo semestre e colhida a partir de dezembro de 2012.

O analista afirmou que nos contatos diários com as fontes de mercado o Cepea apurou que, mesmo com os altos preços do tomate nos primeiros quatro meses deste ano, a expansão da área não deve ser expressiva no plantio de inverno, por causa do temor de que o excesso de área disponível e à falta de mão de obra. A estimativa é de aumento de área entre 3,5% a 5% nas principais regiões produtoras.

Tomates de mesa e o industrial

Goiás é um dos principais produtores de tomate do País, havendo, no entanto, diferenças básicas desse fruto. Há duas espécies de tomate: o industrial ou rasteiro produzido em escala em Cristalina, o maior produtor brasileiro, e também em Morrinhos. O tomate de mesa, normalmente chamado de tipo salada, tem São Paulo como líder na produção, normalmente pela colônia japonesa. Goianápolis, município situado no eixo entre Goiânia e Anápolis, tornou-se conhecido na tomaticultura em virtude dos cantores e compositores goianos Leandro e Leonardo.

Em Goiânia, Alípio Magalhães, gerente de Assistência Técnica e Extensão Rural da Emater, faz algumas observações interessantes acerca do desenvolvimento da cultura do tomate no Estado. Segundo ele, tomando por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de Goianápolis, chamada de a Capital do Tomate, já chegou a ter uma área plantada de 800 hectares. Hoje, não passa de 100 hectares. No ano 2.003, por exemplo, a área plantada com o tomate do tipo mesa ou destinado à salada ascendia a 2.130 hectares. Atualmente está limitada a cerca de 1.000 hectares. De uma produção de 30 mil toneladas ao ano caíram para 15 mil toneladas. Agora, Corumbá de Goiás produz 10.450 toneladas, com rendimento de 95 mil quilos por hectare, numa área plantada de 110 hectares. Dez toneladas, portanto, acima de Goianápolis e cinco toneladas a mais em comparação a Catalão.

O tomate industrial, destinado a confecção de molhos, no entanto, apresenta alta performance de produção nos municípios de Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, e Morrinhos, na região sul de Goiás. Alípio atribui essa expansão nesse segmento aos investimentos em tecnologia, sementes melhoradas e irrigação.

Wandell Seixas
Assessor de Imprensa da Emater.